sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu


Eu
africano, judeu, catalão
muçulmano incréu, irlandês
chinês, francês, afegão
favelado de uma situação,
esnobado, surrado,
vilão...

Eu,
o rei sem teto,
sem chão e sem cetro
Imigrante de outro mundo,
Onde cada palmo tem metro

Eu,
com a roupa roída pelo rato
que também roeu
a daquele outro, o de Roma,
tenho um canto que não sai da boca,
meu verso é em outro idioma
conto a vida em minutosanos
insanos.

Eu
Um rei doente, em coma.
"Quando" é o tempo relativo...
"Onde" já foi
Dor, tão condensada em um ponto
Que a misturo às claras, às claras
e as bebo de um só gole.

Careta fria.
Minha corda arrebentou.

E eu
acordo,
mais africano que o mundo,
sem acordo.
Me sinto mais bicho
imundo
que aquele humano
a remexer o lixo bem no fundo.

Helio Jenné


2 comentários:

Helio Jenné disse...

Nina, o que posso dizer? Me senti honrado por vc ter publicado um texto meu no Drizzling! Isso sim é uma linda homenagem! Adorei. Beijos agradecidos! :)

Nina Victor disse...

Esta sua poesia cabe bem aqui!
Obrigada por escrevê-la...
Beijo! :)